O fato de não conseguir guardar minhas emoções para mim, não conseguir explicar como me sinto, não conseguir transformar meu rosto e minhas ações em máscaras de serenidade faz com que eu me sinta exposta, vulnerável. Sou uma pessoa frágil, sempre fui. Tudo que me é dito me atinge com muita força, faz com que eu me desestabilize, faz com que eu queira ser apenas um ser inanimado, ou que eu seja forte, que eu me torne inatingível.
Queria ter o dom de saber o que se passa na mente das pessoas, não o tempo todo! Só nos momentos que eu sinto como se estivesse sendo esmagada por um salto agulha. Gostaria de saber se mais pessoas se sentem da mesma forma que me sinto. Me sinto desesperada, me sinto perdida e que nunca farei nada corretamente. Sou uma eterna mutação. Sou obrigada a me transformar a cada curto período de tempo e isso vai me confundindo sempre mais e mais.
Quero ser mulher, ser profissional, ser esposa, mãe, filha, irmã, amiga, escritora, pensadora, filosofa da vida. Quero o direito de cantar no chuveiro, o direito de comer uma caixa de bombom sozinha, quero poder chorar vendo meu filme favorito e sorrir lendo aquele livro que tanto me emociona. Quero dançar até minhas pernas não aguentarem mais, quero cozinhar. Quero sair, passear, gastar, sonhar. Quero ser tudo o que eu sonhei para mim. Quero o direito de sentir saudades e de chorar por isso se for preciso. Quero poder correr para te abraçar quando te ver, mesmo que você tenha ido apenas trabalhar (é que, você pode não entender mas, ao final do dia tudo que preciso é sentir seu cheiro) e sussurrar no te ouvido o quanto te amo e a saudade que senti de ti.
Eu quero apenas conseguir ser eu mesma e não sentir medo disso. Quero escrever coisas aleatórias mas que fazem sentido para mim e que outras pessoas se identifiquem comigo. Quero apenas viver e, em meu desejo mais íntimo e profundo, quero ser feliz.