Muitos se fala que ser mãe não é nada fácil, mas ainda se julga muito uma mãe que diz estar cansada, esgotada, precisa de um tempo sozinha... E venho aqui pedir: Me deixem surtar de vez em quando. Me permitam gritar com o mundo, me deixem dizer que estou cansada de ser mãe. Por favor, me deixem querer dormir mais um pouco.

Sei que esse post está mais confuso e estranho do que de costume, mas acho que era isso que eu precisava pra agora. Eu venho querendo falar sobre isso tem algum tempo e percebi que nunca vai existir o momento ideal porque eu vou ser taxada em qualquer momento.
Eu surto. Surto porque fico sobrecarregada. Surto e acabo gritando, com o Miguel, com o cachorro, o gato, o passarinho que veio no quintal e quem aparecer na frente. Mas me deixem gritar, caramba. Me deixem perder a paciência. Vamos parar de achar que mães são seres celestes que vivem de paz, amor e comunhão. Não é assim. Somos seres humanos. Temos fome, sono, cansaço, sonhos, planos, fazemos sexo, bebemos de vez em quando e, em alguns momentos, nos damos o luxo de largar a casa de lado e ver um filme.
Eu sou uma boa mãe na maior parte do tempo. Brinco de carrinho, de montar pecinhas, de dançar na cozinha, de fazer show com instrumentos imaginários, de ouvir histórias inventadas pelo Miguel, de balanço, de cavalinho e do que mais for. Eu cozinho, lavo, limpo, ajeito, ajudo, acolho, abraço... Faço tudo o que diz o protocolo de mãe. Então, me deem o direito de me sentir mal de vez em quando. Me deixem sentir saudade de mim. Me deixem (e aqui é onde eu sou apedrejada) imaginar como seria minha vida se eu não tivesse tido meu filho.
Quando falamos sobre desromantização da maternidade, não estamos falando sobre mães horríveis e sobre não ligar para nossos filhos. Estamos falando que não existe mãe perfeita (ela é um mito) e que, em muitos momentos, vamos querer fugir, correr, chorar. E isso é normal. E não estou nem falando de depressão pós parto (que eu não tive por um milagre do universo). Estou falando somente do cansaço e dos estresses diários. Menos julgamento e mais amor ao próximo. Se ver uma mãe se descabelando com o filho, ou gritando, ou chorando do lado dele durante uma birra, tente não julgar ela. Tente entender tudo o que aquela mulher passa todos os dias, provavelmente sozinha. Sejamos empáticos com as mães.