A internet toda já se manifestou sobre a série. Muitos adoraram, outros acharam um desperdício de tempo. Eu faço parte de um seleto grupo que viu, gostou mas mesmo assim vê alguns problemas na série. 
Sim, vou falar sobre os gatilhos da série. 
Quem sofre ou já sofreu com depressão deve ter um cuidado maior com a série, assim como adolescentes que sofrem bullying. Porquê? Por que a série mostra uma pessoa que sofreu bullying, desencadeou uma depressão por conta disso e outros vários fatores e encontrou sua única solução no suicídio. E aqui eu devo deixar uma mensagem muito importante: SUICÍDIO NUNCA DEVE SER UMA OPÇÃO. 
Eu já tive depressão por diversos motivos que não vem ao caso hoje, mas posso vir a abordar futuramente. Por conta disso, assisti a série com muita cautela e sem ver tudo de uma vez e revezando com outras séries engraçadas e leves. Isso me ajudou muito, até eu chegar em um ponto que não queria mais intercalar e me senti confortável assistindo vários episódios em sequência. 
Mas vamos falar sobre a série em si. 
A série, como todos já devem saber, é baseada no livro homônimo. Eu não li o livro, então não vou comparar. 
Ela retrata não somente suicídio e bullying, mas também alcoolismo, homossexualidade, estupro, o descaso das escolas com os estudantes, o descaso de muitas famílias com os seus adolescentes. Como podem ver, não tem nada leve nessa trama. 
Muitas pessoas falaram que só conseguiam distinguir passado e presente por conta da cicatriz do Clay e acredito que esse tenha sido um recurso bem importante usado pelos produtores, mas eu identificava pelas cores. O passado era mais alaranjado, com queres mais quentes. O presente era azulado, com cores frias. Acho que também foi proposital e, a meu ver, mostrava um pouco como Clay passou a ver as coisas após a perda da Hannah
Os episódios são longos, com quase uma hora cada. Eu achei esse tempo okay e necessário em muitos episódios, mas acredito que outros poderiam ter sido mais curtos.
Sobre os porquês, temos que entender que era a visão da Hannah sobre os fatos. Uma coisa que não vi ninguém comentando e acho muito importante é que a sua verdade não é necessariamente a minha. A minha versão dos fatos provavelmente será diferente da sua. Assim como a visão da Hannah era diferente da visão dos envolvidos. Ainda não sei se acho que a Hannah quis se vingar enviando as fitas. Acredito que ela apenas quis contar o que ela viveu para que, de alguma forma, as coisas pudessem mudar e vemos que isso pode ser possível. 
O Bryce... Sim. Temos que falar sobre os muitos Bryces que existem por ai. O Bryce é aqueles muitos caras ricos (ou nem tanto) que são populares na escola, que a família e os professores passam a mão na cabeça e por conta disso eles acreditam que podem ter tudo o que quiserem, quando quiserem. No caso do Bryce da série, o que ele queria era sexo. E é ai que entram os dois estupros relatados na série. Ambos dolorosos e desconfortáveis pra assistir. Eu nunca passei por isso e espero nunca ter que passar. Meu emocional não é dos melhores e eu não sei como levaria a vida caso algo assim viesse a acontecer. Espero que na segunda temporada haja alguma justiça. 
Não vou falar de porque por porque nesse momento. Acho que vale ver a série pra descobrir o que acontece. 
Mas vou falar sobre o Clay. O Clay é o porquê que não é um porquê. Ele a amou, amou mesmo, mas não teve coragem de declarar seu amor. Existem muitos Clays por ai. Eu sou parte Clay, e você também. O Clay se omitiu. Ele estava lá, mas não estava. Acho que ele é uma lição muito importante pra que a gente diga o que sente enquanto é possível. Talvez, o seu Bom dia, pode mudar toda uma vida,  assim como aquele Eu te amo que você sente medo ou vergonha de dizer.
Ficou um pouco mais longo do que o esperado e eu não falei nem metade do que eu queria, então já fiquem sabendo que a série pode aparecer aqui novamente, em novas discussões, abordando temas diferentes. Tem muito a ser discutido a respeito. 
Eu não sei se indico a série pra todo mundo. Eu acho que ela é necessária, acho que devemos discutir o assunto e, principalmente, acho que devemos prestar mais atenção ao nosso redor, amar mais, disseminar amor. 
Eu chorei ao longo da série e chorei muito depois que acabou. Eu tenho um filho que, um dia, será um adolescente. Meus maiores medos são que ele não converse conosco sobre o que acontece na escola e na vida dele e que ele seja o porquê na vida de alguém ou que existam pessoas porquês na vida dele. Por isso o tema deve ser discutido dentro de casa. 
A Netflix fez um documentário chamado "Tentando entender os porquês", com os produtores da série, atores e psicólogos. Vale muito a pena assistir. Pra mim, esse documentário foi o que fez a série toda valer a pena.
Como eu disse, ainda tem muito a ser discutido envolvendo a série. Acredito que logo virei falar mais sobre o assunto, que precisa ser discutido.








Quem assistiu a série, conversa comigo aqui em  baixo. Fala o que achou da série, o que espera para a segunda temporada, se já leu o livro... A discussão sobre o tema deve continuar.  Continuem ela aqui. Se você sofre de depressão, busque ajuda profissional. Não é vergonha buscar ajuda. Quando você quebra o pé, você vai ao ortopedista, certo? Então se você sofre de algum mal  em sua mente, vá a um psicologo, psiquiatra. E se quiserem conversar com alguém, meu e-mail estará sempre aberto a ouvir desabafos.
Um beijo no coração de cada um de vocês. Até a próxima.